29.9.09
4.9.09
[...]*
sente
como toco tua pele
suavemente
como toco teu sono
tuas mãos dormentes
toco prazerosamente
tua mente posta em mim
fecha os olhos:
que quando toco
delicadamente
teu pescoço amolece
querendo mais e mais
de meus lábios quentes
[com os quais sei que me mentes]
e é doce
e tem cheiro
e é frio
e calor
sente
meu amor
meus dedos
serem
teus cabelos
serpentes
lambendo macio
e calmamente
o veneno vivo
que és
demônio
insolente.
___________________________
* Poema à seis mãos de Andre Martins, Hanna e Harley Dolzane
dito por
Harley Dolzane
num(a)
Sexta-feira, Setembro 04, 2009
0
desditos
28.8.09
...
(longa é a espera da palavra em sua caverna)
tua boca cheia de chuva
não dirá coisa alguma
não trará à tona
rastro ou qualquer
certeza de
vida...
[in]
verte o verso
no escuro
gota a gota
[sub]
ver te o
deus estilhaçou
o espelho de ver
se
comeste os cacos
mas tua língua
[de ser já tantas]
não
amanhe
-será
poema
algum
(HFD)
dito por
Harley Dolzane
num(a)
Sexta-feira, Agosto 28, 2009
0
desditos
Marcadores: boca, caverna, chuva, dolzane, harley, língua, metalinguagem, poema
13.8.09
Verão

ser sol
salgando
.........tua boca quente
vento tecendo a cor de
.............................tua pele desfeita em mar
.....................................e tua morte......................................ali, rente
...........................................................(fera sobre a pedra)
........................à beira
........................de
........................um beijo
...............................................o ultimo antes do mergulho...
ser sol
teu signo cheio de verão
..............................e enfim a luz de teus olhos
.................................reinventando
.................................a língua
.................................do tempo
.................................a fala
.................................da ponta de meus dedos em tua solidão
.................................o calor.
(HFD)
imagem: Albert Ràfols-Casamada «Tensions», 2004 (acrylic paint on canvas)
28.4.09
lição de Gullar
I.
sem ênfase
a tarde--------------------coisa coisa
segue sendo ser-se-em-si
mas o poema - que dela se faz
remanesce
---------------flores---------------periquitos-----------------nuvens laranjas
nada de gosto de frutas:
------------------------se ficam sobre a mesa
------------------------se ninguém as deseja
------------------------seguem sem ter sido-------------------enquanto escurece(m)
------------------------festa na boca do menino
já o poema podre
-------------------------------de semana inteira
poderá mentir
-------------------------------suco carnudo
o poema não diz o poente.
II.
do fundo de sua morte
a tarde deixa de ser.
o poema atrasou-se----------e sempre foi silêncio
agora a noite das coisas
ele também poderá desdizer
a palavra é uma contradição
que será lida (quando?)------------------cheia de som
---------------e as coisas serão outras.
dito por
Harley Dolzane
num(a)
Terça-feira, Abril 28, 2009
0
desditos
Marcadores: dolzane, Gullar, harley, intertextualidade, poesia
31.3.09
(roçar)
réstia:
a pele da luz
tem mais cor
.
nem sei de lençóis
e as fronteiras de nós
amalgamando-nos
com urgência cortante
e cheios de luz
apaguei
por completo
tuas marcas
em minhas costas
.
lua
vermelha
é febre
no coração de Morena
menina molhada
amanhece
nua
.
língua:
gosto mudo
.
por muito pouco
a ponta dos dedos
imobilizados de cio
não tocam o céu aberto
da boca
.
o copo vazio
é o corpo sem calor
.
resvalar:
vontade em pretérito
imperfeita
.
olho-estilete
destrinchando
molécula molécula:
eu
rindo de soslaio
digo palavra
alguma.
.
dito por
Harley Dolzane
num(a)
Terça-feira, Março 31, 2009
3
desditos
7.3.09
à Max Martins
etéreo
eterno
rio éter
pocket-poema
hibernal
po eter
a dor mecido
gota a dor
nada . tudo
a mor tecido
a marahu
(rio que te vestiu)
o baque
medra o casco e
segue miúda
------------a-----canoa carcomida
do arrozal--ao----(uni ver) sal
do pó-------ao
pó-homem
po-women
power
Pound
poeira
o caboclo aporta no estrangeiro
vai-se além do
NÃO
ES
TAR
A
QUI
:
lugarejo de encantaria
o mito é o não mais tocá-lo com as mãos
palavra apunh
alada
dito por
Harley Dolzane
num(a)
Sábado, Março 07, 2009
2
desditos
15.2.09
Hoje.
Mas manhã, viajaremos e seremos felizes.
É certo.
Ou quase.
Tudo isto certamente é quase
(um teste)
e embora eu deteste admitir
isto é um saco
minha boca
fundo de mim
amarrado
hoje a tarde
senti o tédio inteiro
como prédio que ruísse pavoroso
em silêncio
vôo-livre
que amanhã
viaja
-riamos rasantes
noite afora
Remanescemos.
É um teste
este sorrir pra dentro
aguando nuvens
de chover o dia todo
e ficarmos em casa
magoados com o verão:
o caso é todo este.
Mas amanhã
a barca de nossos exus seguirá
viaja-
remos velozes
e isto é um (?)
(eu) rio de nós.
dito por
Harley Dolzane
num(a)
Domingo, Fevereiro 15, 2009
0
desditos
27.11.08
poesia de memória ou "poemas reminiscentes"
o lugar é desaperceber o lugar
e toda a geografia de aterro e urca
e baías babilônicas como vulvas avulsas sobre as pedras pedras
e as esquinas que seguem rumo à Copa.
não há nada a dizer da rigidez e dos pêlos-árvores a cobrirem as virilhas
do poema-atlântico:
Botafogo!
*
Acaso importa o onde do poeta,
se explodem, sem memória, despertadores nucleares
no quarto ao lado?
Importa os pés do poeta-ficção, sua cama desfeita, viola calada, o deserto na palma da mão?
*
O passo é sempre gerúndio
ando indo (o último verso também se vai)
num sem-se-acabar sem fim
*
Há um sem-número de anos-luz
uma mulher dorme tranqüila como um sol
uma mulher dorme lenta e lânguida como que se pondo
e nesse sono de veludo leve e tranqüilo
há um poeta que estraga tudo...
*
É possível que nada,
sequer a releitura, via dos vapores que sonhas,
repita o branco do Rio branco que se há de esquecer.
Rios passam.
Suas cores é que, por vezes, restam, poéticas, na fotografia de lembrares...
e nelas, a casa flutuante dentro da qual o poeta se escancha numa rede.
dito por
Harley Dolzane
num(a)
Quinta-feira, Novembro 27, 2008
0
desditos
29.5.08
(roçar)
tua vida
teu gás
dançando
sobre o nu-deserto
o poema
performance
a la Pound
e nada mais
bafo
lascivo
sobre a
carne-palavra
guerra que é a paz.
dito por
Harley Dolzane
num(a)
Quinta-feira, Maio 29, 2008
2
desditos
25.4.08
(roçar)
acordei
e ainda doíam
os ossos
não estares
era profundo assim
.
dizes
uma flecha
jamais alcançarás
alvura alguma
a letra tem cor de pomba
mas é mosca
.
roçar...
incendiar a noite
venha a palavra-vinho
deixar ranço na língua
como fruta seca
.
a noite da cidade é carne
que se consome:
combustível de automóveis lá fora
lá fora sou eu embriagado
.
a laje
onde fincastes os pés
vai caindo assim:
de má vontade
como quando a chuva é fina
na pele áspera da tarde
verdade
é palavra sem cimento
.
nem te falo mais da estrada.
mandar noticias
é não se tocar
.
boca
boca
entre: um deus
que não sabe beijar
.
encosta aqui:
bem onde me faltas
.
seio de nuvem
barba vagueia vasta
por ventre vasto vasto
vai ao sul
sem susto
língua de fogo
.
a duras penas
brancas de nuvem
o dia resvala
em estado de garça!
(o Tempo voa)
.
dito por
Harley Dolzane
num(a)
Sexta-feira, Abril 25, 2008
1 desditos
22.4.08
espera eu*
meu bem?
ai, já não era sem tempo...
agora é
como quando se tinha medo do escuro
e alguém já vai ligar a luz;
lembra quando ouvíamos voz-de-vento?
toc, toc, toc,
tem alguém ai?
ai dentro?!

* para Josie que sabe escutar a voz que ainda é só um ventinho!
dito por
Harley Dolzane
num(a)
Terça-feira, Abril 22, 2008
0
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16.4.08
dos poemas de outrora...
re-
galados
pulmões:
ato contínuo:
dá-se o mais
íntimo carbono;
pesa a porra
espúria de ar
nos peitos.
E nem que
se
des
queira
a poeira
pasto
imposta,
pro-
cessada
a paz
que cada
célula tira,
res
pira
(!)
Borboletasobre a borboleta que, sabe-se lá porque,
um dia sentou junto a mim à beira mar.
De onde vinha?
Que dores trazia naquele vôo etílico?
Sentou-se por um instante...
Sentou-se e, sem querer sentar,
deitou um tanto de sol em mim,
como manhã que deposita serena
o caloroso lilás por toda a ilha.
E hoje, no dia em que quase esqueci
todo aquele rosa-vermelho que me
ofertava em sorrisos cínicos...
Hoje, no momento exato de vestir
uma camisa qualquer amarela;
Hoje, como espada de anjo que rasgasse o peito,
uma imagem distante daqueles
olhos cheios de lua
ali, a iluminar a praia toda,
cúmplice dos amantes insanos,
ali, sobre-humano canal de um sofrer tão dolorido...
Ah, não fosse pétreo o coração, certamente,
teria chorado... e tanto... e muito
que agora mesmo ainda seria 1° de janeiro,
nos ouvidos o som do mar...
teu cantar... salgado... aflito,
sombras de coqueiro dançando,
abraçando-te como um desconhecido
à tua brancura indecente e suave...
Ah, a paz de teu seio!
O desatino de tua boca devassa!
A solidão de tua voz!
Há certas horas que bem poderiam estancar...
Cessar o ritmo fluido.
E falavam aquelas mãos,
as mãos com que dançavas
teu repertório de loucura;
e falavam os bêbados de todas as esquinas
desejosos dum gingado teu.
E meu corpo...
os pêlos de ponta à ponta
arrepiavam-me pas du deux.
E meu corpo...
ah, meu corpo gritando tuas unhas!
Sim
a coreografia que me tatuaste falava tanto,
tuas legiões de escândalos falavam, falavam e falavam
a torto e a direito
e, agora mesmo, em algum lugar tuas roupas perdidas nas pedras
falam tanto ainda...
Caríssimo inseto.
Pequena canalha.
Tu, que me despiste doente de mim,
diante dum lume amargo
tão direta e sinuosa,
tu que te perdes
madrugada a fora,
em que leito, bandida, em que leito tu pecas?
Quem te ensinou a escapar assim pra longe, menina alada?
Em que ombro tens derramado teu suspiro de nuvem, tua volúpia,
o gemido sufocado?
Eu que nunca te soube uma vírgula,
ponho-me a sonhar-te palavra inteira
cheia de prosa
letra por letra
borboleta de rosa língua,
demônio cheio de graça!
Não!
Oh, não!
Não me escape da memória
doce-linda-amiga
irmã de desespero,
que te quiero!
Si, te quiero!
dito por
Harley Dolzane
num(a)
Quarta-feira, Abril 16, 2008
3
desditos
3.4.08
...

O mundo não me cabe nos olhos, meu amor
e a mim não cabe reclamar
o que se vê é recorte e é melhor assim...
colo teu sorriso nas montanhas daqui
e, no teu pescoço, o cheiro do mar...
é tudo um mosaico de todo lugar
o verde, minha flor, cobriu muitos sonhos meus por aqui
além de minhas portas e janela...
e nem percebi que era essa a cor do teu vestido...
(HFD)
dito por
Harley Dolzane
num(a)
Quinta-feira, Abril 03, 2008
0
desditos
2.4.08
dos poemas de ontem a noite...
vi muitas
e a carne sempre gela.
pior que a ânsia do quase-corte
é o saber-se, no fim, completamente
cega.
...
Olha o pássaro, meu bem,
deixa, que vou atrás seguir as pegadas no ar...
Oh, não, meu anjo,
mais que esquecer teu desamor
quero é lembrar que ainda tenho asas...
O tijolo do tempo não é a palavra.
dizer não (re)constrói e sequer existe:
quando muito, é papel.
e mesmo se tempo fosse casa, haveria sempre a chuva.
Fosse o tempo duro, pedra continuaria sendo a palavra e que tropeçamos.
Sangrasse, o tempo não seria carne
Morresse, tampouco seria vida
pôs a fantasia e partiu
e fiquei lendo nuvens de chuva....
ela foi fogosa e cheia de tudo atrás do bloco
subiu o morro louca feito arco-íris a dar-se à Baco
(levou-me as cores todas, a vadia!)
Fiquei cinza bebendo angustia e solidão
já era quarta-feira:
ela, linda colombina,
eu, anti-folião.
...

O avião – mais um – se foi...
Naquele dia eram todos iguais:
o mesmo avião se repetia várias vezes
e sempre sumia
no céu do Flamengo.
Havia algo de feroz;
algo de feroz dormia em mim
eu era uma catástrofe tranqüila
e o sol, sem calor, molhava as costas
de repente: nuvens, oh, nuvens
tantas eram no céu do Flamengo!
O passarinho voou bem perto
corriam, corriam, corriam
e ofegavam ao longo da orla
e tudo era líquido sem saber.
O avião mergulhou no céu e virou chuva:
Sol também sabe chorar.
dito por
Harley Dolzane
num(a)
Quarta-feira, Abril 02, 2008
0
desditos
6.2.08
tempo vago
o papel enrugou...
há muito não escrevemos um poema...
o papel encheu-se de tempo e saber
vazio, encheu-se de nós
e quer morrer.
HFD
dito por
Harley Dolzane
num(a)
Quarta-feira, Fevereiro 06, 2008
1 desditos
Marcadores: encher, enrugado, papel, poema, tempo, vago, vazio
5.2.08
(...)
dito por
Harley Dolzane
num(a)
Terça-feira, Fevereiro 05, 2008
0
desditos
17.1.08
...
Escrevo. Escrevo porque não tenho saída.
Escrevo porque não sei de mais nada.
Talvez pelo vinho aqui na mesa
por seu vermelho de ver melhor. Escrevo.
Escrevo por que um dia me disseste que podia e eu senti sinceridade no teu dizer.
Escrevo pra ti agora escrevo.
Escrevo. Escrevo e, não! Não te apiedes de mim! Escrevo.
Mira somente a poesia, peço-te. Que é só o que escrevo.
Escrevo por que tenho o teu endereço.
Por que tenho punho e um bando de coisa que não sei dizer. Escrevo.
E nem sei escrever, mas escrevo. Sem norte.
Escrevo que nem me sabe a morte.
Que nem me sabe a rima pobre.
Escrevo. Escrevo e é tão torto.
E é tão turvo e terno e tanto
Que escrevo. Que tento pelo menos sobre
Escrevo pra sei lá quem.
Escrevo e rasgo (me) papel
Escrevo e nem sei de onde
Escrevo. Agora por ti.
Por demônios como tu, escrevo.
Por loucura talvez escrevo. Pela flor.
De mentira.
Pelos meus escrevo.
Por tantos que nem chegarei a sonhar
Escrevo. Pela tarde. Afora.
É tarde, é noite.
Para todos e para que ninguém ouça!
Escrevo quando escrevo-esqueço
Quando nem sempre escrevo aqueço
vez em quando. Sem idade. Nasci!
Minúsculo escrevo mais
e maior. Mesmo quando não escrevo escravo
e ninguém vai lembrar desse rosto de vinte e três anos
no espelho do banheiro sua solidão na noite carioca
ninguém. Recentemente ninguém.
Escrevo sem rumo
Sem rumores escrevo
Retalhos da terra onde pisei
onde passo. Curto
Tenho passo curto
Tenho passo pouco
Passei poucas passei boas
Tenho muito mais que andar ainda
eu sei
de nada
um pouco.
Já vou indo. Volto. Voltei.
No mais escrevo
preciso mentiroso eterno
no mais ou mesmo. escrevo
Menos pra ti
que pra mim.
Sob o céu atual
o céu que comungamos
há os prédios e tantas outras vertigens...
o rosto de teu filho perdido
em qual rosto, em qual rosto se perdeu entre tantos
o futuro?
O olhar sem calor
a pele macia da moça
o mito. Os olhos do mito
Cego escrevo. Sem sossego.
De óculos escuros.
Repito tudo quanto ouço
Sem alarde: um grito
Sem conteúdo agudo aguado
é assim que escrevo
que tenho fé
gancho pendurado em lugar algum
escrevo sem apego
sem prego ou parede
sem chance
sem chave charme sem
qualquer pre
-tensão
qualquer pressentimento
pressão
sentir
sinto muito
sim, minto muito, e como(!)
tudo o que vier pela frente... como
sem ti
uma sonata bastante doce perde a cor
como uma pedra escrevo inerte inorgânico
já esqueci.
De todos aqueles sonhos bonitos
restou só isso...
HFD
dito por
Harley Dolzane
num(a)
Quinta-feira, Janeiro 17, 2008
1 desditos
14.10.07
leve
quem vai...
querer: verbo
fundamental
da vontade à ação: trans-tempo
ou não-finito-mortal (?)
dar vazão aos sins
cá dentro calados
sem razão abissal.
(vãos vento vendaval)
quem vai... ter a tua carne carnaval
quem vai...
dedos de mãos airadas
de areia escorrer pelos
os teu: lisos lindos cheios de treva
quem vai... vou em teus tornozelos.
me leva, vai, me leva
assim: leve...
dito por
Harley Dolzane
num(a)
Domingo, Outubro 14, 2007
1 desditos
Marcadores: Harley Dolzane, leve, querer, tornozelos
À Carol.
caracóis em festa:
de sorrir-se rosa
linda e branca.
Carol sempre cora
nessas horas-coração
ah, a Carol e seus corais!
(HFD)
dito por
Harley Dolzane
num(a)
Domingo, Outubro 14, 2007
0
desditos
Marcadores: caracóis, Carol, corar, coração, Harley Dolzane
26.9.07
...
Saio com cheiro de praia
pra noite cheia de si:
ante a lua em prata
meu corpo de bronze é a prova
de que o sol também mora em mim.

Escorre pelas minhas mãos
nunca mais
nunca mais tornar
zarpei
de meu cais
sei que não sei mais
virar
o leme?
a ampulheta?
-------------------------------------------------------------------------------------------------------------
do amor.retina
sem menina
no fundo
não
vês:
ela está fora
(de si)
------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 
Pensem o poema
esclerosado
rema rumo à morte
heróico
sem saber
que
tudo
é já
não
ser
-------------------------------------------------------------------------------------------------------------

menina pura
menina pura
menina, pura que pariu!
-------------------------------------------------------------------------------------------------------

é areia metida a besta
trans
-parentes distantes
primárias cores
todos cortam!
-------------------------------------------------------------------------------------------------------azia
ásia
que te vejo ainda por aquiassim, assim, vadia, vazia asa
de ponta a cabeça no meu globo ocular
virando-me do avesso
o estômago
tua carne crua de salmão,
espezinhando, cadela,
minha maldita pequenez
-------------------------------------------------------------------------------------------------------(HFD)
dito por
Harley Dolzane
num(a)
Quarta-feira, Setembro 26, 2007
1 desditos
5.9.07
em transe
transo
antes da noite
de amante
diamantes
que quero a riqueza dos famintos
e a paz dos distantes
melhor ainda:
antes de amores
amoras
que minha língua há muito secou
e meus quilômetros por hora
__________________________________________________
Soprei verões sobre teu sono
e dormias. Agora, nunca mais:
sou mais que outono
primavera ainda que tardia!
__________________________________________________
Mas nem tudo é assim tão bom ou mal quanto parece
nem a dor de que teu corpo padece
e que o mar não ouve
nem a outra dor…
sente a brisa calar o calor.
A dor se adia.
adormece
ante a geometria
do vôo incolor
ninguém vê
ventania.
__________________________________________________
confusos---------em---------rodopios
pela sacada
o melhor é o seu
sustenta-se absurdo no ar
atira-se pro infinito do mar
é azul.
__________________________________________________
Rio Branco.
chove uma chuva
de acordes banais
todo santo dia.
---------Pássaros---------
sábados, domingos e feriados
dito por
Harley Dolzane
num(a)
Quarta-feira, Setembro 05, 2007
0
desditos
1.9.07
água gelada
a página em claro apaga algo: o escuro
o escuro é gelado e a página ERA clara
o negro em mim ferve
minha fria verve se apagou
batata frita fria
ta (p)assando
a hora
Com minha asa, ando
vôo paralelo no meio do fervor
por favor, por favor no meio da pista
sem meio termo
onde está o meio (as vezes + as vezes –)
(em meio)
a teu meio me(u) extremo
----------------------estremeço (-me)
ateu, me estranho no meio do meu e do teu
-----------------------------------------------------exterior
doce, antes fosse só uma bala que
--------------------------------------eu chupasse
e se tudo isso fizesse sentido (?)
se furasse o ouvido pro calor do mundo
---------------------------- calar
sem cor. sem som. sem graça
a cachaça que se há de tragar
assim, branca da cor do tempo
Sabe-se do tempo: ele é curto
Sabe-se das tulipas: cheias / vazias
são flores (sem você) tristes
na espera do orvalho da madrugada
úmidas. A falsa ilusão de tua presença...
mas haverá o dia das margaridas
-------------------- desamarguradas
e o sol mentido de pétala
terá cheiro de verão.
(HFD & Mayra)
dito por
Harley Dolzane
num(a)
Sábado, Setembro 01, 2007
0
desditos
Marcadores: margaridas Mayra Abreu Harley Dolzane calor calar água gelada poesia
23.8.07
.jpg)
A hora incerta que antecede a Aurora, não a vejo.
Mas talvez haja uma palavra para explicá-la; uma palavra bonita e cheia de serpentes, uma palavra que me arrombe a janela e derrube o prédio em frente.
Ou não. Talvez não haja Aurora, sequer Tempo, de modo que a tal hora incerta, seja, por assim dizer, o prólogo de um grande truque; “O” grande truque...
O grande despropósito raiando ante os homens doentes da cegueira de só ver o que se quer.
E por isso mesmo, talvez se queira, exatamente, fechar os olhos.
A temperatura que se eleva sutilmente fazendo o suor brotar do rosto em contato com a fronha não é amanhecer;
Ouvi um galo cantar. Mas não sei onde: (logo) não é dia aqui;
em Pequim? Em Marudá? Há dois quarteirões? Na próxima esquina?
O cheiro do café e pão quente não faz a vida despertar.
Talvez o mundo não levante mais.Mas... e quanto a mim?
(HFD)
dito por
Harley Dolzane
num(a)
Quinta-feira, Agosto 23, 2007
0
desditos
Marcadores: aurora, dolzane, harley, interlúdio, Marudá, truque
27.6.07
Rock 'n' Roll
O rock n’roll não morreu
sob tuas unhas em NY em Paris
em pleno ar ainda rola o rock n’roll
se esgarçarem teu peito
se te apontarem a estrada
haverá o mito a neura
se te apontarem a ruga
se te pisarem o calo
e gritares
o outro lado o outro lodo outro ruído gêmeo
será um riff rouco
e se te faltar o ar
e se te faltar o sangue
e se caíres em tentação
e caído, só e seco e todo sal
se furarem teus ouvidos
lembra que há conforto no ácido
lembra que há flores
e lembra acima de tudo:
as pedras vão rolar!
(HFD)
dito por
Harley Dolzane
num(a)
Quarta-feira, Junho 27, 2007
5
desditos
Marcadores: rock 'n' Roll dilacerarte poesia music harley dolzane
17.6.07
devaneios em Ipanema
(quem sabe o mar?
quem sabe a dor sufocada dos corações?)
os dias do porvir certamente
viriam mais limpos
como teu gosto em minha língua...
e seria possível até ouvir os pássaros.
............................................................................................
Meu tempo é outro:
aqui o sol já se pôs
atrás do prédio.
.............................................................................................
Parece que era de um vaso na mesa
e de uma galinha no quintal
que falava Ferreira
enquanto não te via passar.
..............................................................................................
Sob junho
e o fino verniz do dia ensolarado
inverna
não nas areias de domingo
nem nos pombos que caminham pela Vieira Souto
mas no veio do humano coração.
..............................................................................................
A esta hora no centro da cidade uma rua
experimenta o silêncio
mais que sepulcral de seu descanso
e os pombos
insistem em bicar o que restou da semana
na calçada.
.............................................................................................
A chaga da tarde inflama o céu,
mas, um dia, será noite
e a cidade dormirá sem dor
enquanto isso: curativo de nuvens
.............................................................................................
mar de ressaca
o surfista sabe:
a noite foi boa!
dito por
Harley Dolzane
num(a)
Domingo, Junho 17, 2007
2
desditos
Marcadores: ipanema devaneios harley dolzane cidade sol inverno chaga
16.6.07
desperta-dor
São cinco e tantas da manhã
Quisera isso fosse uma velha canção que o relógio mentisse estridente...
São cinco, quase seis
logo estarei obrigado a agir novamente no mundo
O poema, pra ele resta pouco.
Justo ele que me foi até esta hora desmedido...
Breve, fora do sono nada restará
agora que a madrugada findou.
Lá fora um lençol bambeia
letárgico na janela vizinha
Segundo após segundo
o corpo todo embrulha-se de uma dor sem tamanho
O dia é claro e já me pesa a vista
Mais uma vez: eu, a dor
eu a dor eu a dor eu ador
-meço.
dito por
Harley Dolzane
num(a)
Sábado, Junho 16, 2007
1 desditos
13.6.07
"No cerne do cio do silêncio..."
No cerne do cio do silêncio
solto, só
no seco do vinho
e na secura da boca
da noite sem charme
penso em ti, menina (--), entre outros tantos absurdos
e na fagulha em flor inconvenientemente linda e morena
que fizeste abrir
em meu desespero já tão ausente de explosões...
(tão cinza e tranqüilo era meu desespero
nem lembrava mais de incêndios cheios de cor)
Na calma da madrugada sem asas ou sabor
veio-me afoito teu querer
veio-me cru e urgente
todo certeza todo agora
como quem não tem escolha
ou como quem sonha-se tarde demais amanhã.
Amanheceu: acordaste, ou foi eu
que fiquei em claro?
Amanheceu: perdemos a hora:
tarde demais
"e eu dizia:
ainda é cedo, cedo, cedo, cedo..."*
*Ainda é cedo. Renato Russo
dito por
Harley Dolzane
num(a)
Quarta-feira, Junho 13, 2007
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6.6.07
"é desse vento frio que me protejo..."
à Sara
É desse vento frio que me protejo
com luvas e camisa e lã
É por esse vento que insisto em manter as portas fechadas
e é dele minha vontade de fazer aqui dentro um poema quente
É o vento que me amarra junto a cama, no oitavo andar da Av. Praia do Flamengo
é com ele que me arrepio quando sonho o verão
Este vento, meu mais amado inimigo,
este vento, que já esqueci de onde veio, nem sabe o meu nome
e é dele que me preservo e do mau-cheiro das roupas úmidas
e do escuro do quarto quando é noite e apago a luz
Há muito tempo é isso. Lá fora já nem desconfio seu rosto;
aqui, existo fora da vida e quase isento de seu gélido mal-estar
Também não há, aqui, morte ou calor:
há luvas, camisa, lã e a mobília incinerada
O cinza daqui é mais sólido que o de fora, é verdade
porém, menos frio e mais calmo
Eu sei que um dia as roupas secarão totalmente no varal
e tudo há de evaporar
Será dia de sol e nascerão sorrisos trincados
e não haverá mais paredes, mas ilusões cheias de mormaço
e, então, abrirei a janela para que o vento assassino, seu punhal
ou talvez algum outro desastre novamente me alcance
Eu sei, e não adiarei o futuro.
"oh, vida futura
nós te criaremos..."*
*O mundo. Carlos Drummond de Andrade
dito por
Harley Dolzane
num(a)
Quarta-feira, Junho 06, 2007
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4.6.07
Três poeminhas...
Ele não faz poesias.
Poesia é perder tempo
Poesia é não ter o que fazer.
.
E ele pensa:
Há tanto ainda o que fazer
E há ainda wisk
E há tantas fotografias na estante
de tudo mais, inclusive eu, estar;
E há ainda o velho acorde,
Distante e repisado acorde...
Com que bajulavam
minha meninice
E meus mais caros sonhos de amor...
“Acorda, amor!”
Poesia: não tenho onde por.
II
Ele não faz
idéia
Ele não faz
A mínima questão
Traga a tragédia humana
Embriaga a noite arrogante
Lança olhares espúrios
sem sentido e cheios de contramão.
“Traga-me o mundo
que não sei mais
como
-ver”
!
Colhe flores rotas
Lambe o chão
Ele faz de tudo um pouco:
Poesia,
Não
III
Longe
sem cor,
sem chão ou paz
nem desconfia
que tudo tanto faz
longe
a canção
bem mais
que fatal
repousa num
onde-aqui-tudo-jazz
onde
aqui
não se faz
mais
poesias.
dito por
Harley Dolzane
num(a)
Segunda-feira, Junho 04, 2007
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26.5.07
(sem título)*
À Adriana
Doroti gulosa era
única em seu vestido verde azulado
de um azul tão folha
e um broche no cabelo.
Doroti era única
com barra branca no dito vestido e sapatos de boneca
sobre o mundo bege e cinza do salão
Doroti portava
em uma das mãos
um chocolate
e dava gosto de ver seus olhos enormes salivando
como brigadeiros infantis
* poema publicado na Revista Blocos Online (http://www.blocosonline.com.br/literatura/autor_poesia.php?id_autor=3318&flag=nacional)
dito por
Harley Dolzane
num(a)
Sábado, Maio 26, 2007
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27.4.07
Impressões de um poema.
Ao poeta e amigo Benny Franklin.
A madrugada
engole tua fala
em seco
o cão
rosna ao caos
poema vário
entre a orquídea
e o grito
fustiga
o outono
acaso sonhas
que, n'outro extremo do trópico,
desarquitetas uma estação
inteira?
Há Tempo incrustado
na ruga da palavra
e um coração em rebuliço
acredita mentir a morte
uma nesga,
miúda nesga,
de memória
da fluorescência da tarde
sobre as montanhas
há a tarde. E a tarde da tarde,
quem irá supor?
Ereto o prazer da fala
voraz o cheiro do esgoto
e como cereja sobre o bolo,
pinga-se demente no céu
uma primeira estrela
sem saber dos animais
que se lambem sob as sombras das árvores
em estranha gramática
mas teu vulto permanece alerta
teu agudo vulto assombra o mito
e arranha céus – não estes
cheios de estéril chumbo,
tua língua de fogo,
o vigoroso bolero, felino
teu verso bolina raivoso
as flores do sonho que se adia
e faz mover a engrenagem
de incêndios de que se vale o poeta
para consumir a vida.
dito por
Harley Dolzane
num(a)
Sexta-feira, Abril 27, 2007
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29.3.07
O poema inicia:
não há palavras pra descrever este acontecimento.
O poema inicia,
passeia imundo
limpo de verbo
que lhe minta o cio do silêncio
e silencia...
mergulha em metafísica,
evita o papel,
dilui em vapor onírico,
ausenta-se de si...
O poema
não espera tinta:
dá a partida
e deixa um louco revirando
o quarto
a sala
a casa
um planeta inteiro:
essa
esfero
gráfica
perdida.
É leve o poema,
69 quilos de nostalgia.
éter
na
mente
idílico
o poema vicia
O poema inicia:
não cabe no corpo.
Vaza pelos poros.
Evapora
O poema
O poema que já nem quero
transborda em devaneio
o universo desta hora.
Mero pó-poema
calcinado,
poema sem valia.
Não se fixa nas paredes
o poema:
asfixia.
Quer o suicídio
O poema...
(Subsídio para nem chegar a ser)
Olha a janela aberta,
Toma um pouco de ar,
Fecha os olhos...
Lá se vai o poema!
dito por
Harley Dolzane
num(a)
Quinta-feira, Março 29, 2007
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